Arte Iraniana
Arquitetura
Durante
o período Islâmico, a arquitetura no Irã obteve enormes progressos, especialmente
com relação aos edifícios religiosos. As técnicas usadas pelos Sassanidas
foram adotadas pelo Islamismo e mesquitas com uma cúpula central e dois
minaretes tornaram-se, aos poucos, uma regra. Estas formas, que tornaram-se
uma característica das mesquitas iranianas, constituem um visual distintivo
às cidades e vilarejos do Irã. Diversas grandes mesquitas do período Seljuq
ainda permanecem existentes; dentre elas destaca-se a "Mesquita de
Sexta-Feira" (Masjid-i-Jamé), localizada na cidade de Isfahan, e que
nos dá uma idéia do grau de perfeição alcançado pela arquitetura desta época.
O uso da ornamentação com tijolos também foi difundido de forma especial.
Nos períodos dos Timuridas e Safavidas, cúpulas e minaretes tornaram-se
cada vez mais afilados e o uso de azulejos esmaltados, que era típico entre
todas as modernas construções religiosas Persas, passou a ser de uso geral.
Obras-primas como a Mesquita do Sheikh Lotfollâh em Isfahan, assim como
as mesquitas e mausoléus de Samarkand, correspondem a maravilhosas ilustrações
de como esta arquitetura utilizava azulejos esmaltados cobertos por arabescos,
estilos florais e versos do Alcorão para decorarem seus edifícios. Isfahan,
em particular, a capital dos Safavidas, com suas numerosas mesquitas, palácios,
pontes e caravanas, representa uma jóia da arquitetura iraniana deste notável
período. A influência da arquitetura iraniana nesta época foi especialmente
forte na Índia, em seus famosos monumentos como, por exemplo, o Taj Mahal,
que contém diversos elementos retirados desta tradição arquitetônica.

Caligrafia
Ao
lado da arquitetura, a caligrafia é a principal arte religiosa nos países
Islâmicos. O fato de se copiar versos do Sagrado Alcorão já corresponde
a um ato de devoção e, com os séculos, artistas muçulmanos inventaram diversos
tipos de escrita árabe, em escrituras que variavam da mais severa reprodução
dos caracteres à mais branda. No Irã, um grande número de estilos caligráficos
foram criados e esta arte alcançou um grau de refinamento de tal ordem que
tem sido considerada sempre como a principal forma de arte.
Até hoje uma bela escrita é característica de um homem culto e os iranianos
mostram grande respeito pela caligrafia. Esta atitude é aparente a muito
tempo atrás, desde a época dos Abbasidas e Seljuques, quando os manuscritos
começaram a ser produzidos e que tornaram-se notáveis tanto na caligrafia
quanto nas ilustrações. Entre tais manuscritos não são encontrados somente
cópias do Alcorão, mas também trabalhos científicos e históricos.
Ilustrações
Uma
das formas iranianas de arte mais conhecidas é a ilustração. No Irã, a escultura
não se desenvolveu após a chegada do Islã, porém, a arte da ilustração em
livros conduziu a uma criação gradual da arte pictórica intimamente ligada
ao desenvolvimento da literatura. O primeiro trabalho ilustrado de grande
valor foi a Coleção de Crônicas por Rashid al-Din que data do século
13. Após a invasão Mongol, a influência da China tornou-se cada vez mais
aparente e trouxe à pintura Persa o refinamento e delicadeza, atingindo
seu ápice na época dos Timuridas e Safavidas. O livro que inspirou a maioria
das ilustrações foi o poema épico de Firdousi. O mais belo e famoso livro
ilustrado foi o Shah-Nameh na versão de Demmote. O mais conhecido ilustrador
iraniano chama-se Behzad que viveu no século 15 e cuja influência foi sentida
no período Safavida. Os Safavidas tiveram um interesse especial nesta forma
artística que passou a ser praticada extensivamente, influenciando, ao mesmo
tempo, a pintura indiana contemporânea.
Foi na época de Shah Abbas que outro grande ilustrador, Reza Abbassi, viveu
e pintou. Seu estilo serviu para inspirar pintores dos séculos 17 e 18.
Após o final do período Safavida, a arte da ilustração entrou rapidamente
em declínio. No período dos Qajares uma nova escola de pintura formou-se
e possuía determinados aspectos de sua arte baseados em técnicas de pinturas
européias, especialmente com relação à perspectiva e certo naturalismo.
Tapetes
No
século passado, a moda dos tapetes iranianos espalhou-se por todo o mundo,
de tal modo que pouquíssimas residências na Europa não o possuíam. A origem
dos tapetes iranianos pertencem a tempos remotos. Pastores nômades costumavam
espalhar pequenos tapetes em suas tendas e, até hoje, os iranianos preferem
Ter o chão de suas casas cobertos por tapetes. Existem provas de que os
tapetes iranianos existiam antes da época islâmica.
No período islâmico, tribos turcas iniciaram suas imigrações para a Anatólia.
Suas jornadas os levaram através do Irã onde algumas destas tribos decidiram
permanecer nas regiões ao norte do país. Os Turcos já possuíam tapetes tecidos
a muito tempo, utilizando um tipo especial de laço. Da idade média em diante,
os iranianos combinaram o nó turco com o seus próprios nós persas que diversificou
vastamente as diferentes maneiras de se tecer um tapete.
Os monarcas Safavidas foram os primeiros a patrocinar a manufatura de tapetes.
Assim como a arte têxtil e tantas outras, a arte da tapeçaria atingiu seu
maior grau de perfeição nos séculos 16 e 17. A maioria dos tapetes presentes
em museus do mundo inteiro datam deste período. Após a queda dos Safavidas,
esta arte entrou em declínio e só foi receber novo ímpeto no período dos
Qajares. Foi daí em diante que o mercado europeu abriu suas portas aos tapetes
iranianos que eram, geralmente, importados de Istambul. Devido às demandas
deste mercado, as rendas e as cores apresentaram certas mudanças. Hoje porém,
assim como no passado, um tapete iraniano de boa qualidade, que não é manufaturado
objetivando o lucro, expressa o prazer e a criatividade do artesão.
A fama universal do tapete iraniano deve-se basicamente à delicadeza do
nó, à novidade nos estilos e na durabilidade e coordenação das cores utilizadas.
Diferentes regiões no Irã possuem diferentes características naturais que
diferem entre si na forma na qual é aplicada da renda, tanto que o estilo
do tapete é suficiente para se determinar a qual região ele pertence.
Artesanato
Em
adição à manufatura de tapetes, que tem sido apreciado, certamente, por
seu verdadeiro valor, os artesãos iranianos também têm mostrado seus talentos
em outros campos menos conhecidos.
Em um extenso país como o Irã, onde existe uma variedade de climas, de tradições
que se conhecem e se interagem entre si e onde os diversos contatos entre
iranianos e povos de países vizinhos contribuíram para a formação de sua
rica cultura, torna-se óbvio que, durante séculos, artesanatos altamente
diversificados e elaborados foram desenvolvidos.
Os principais exemplos das habilidades dos artesãos iranianos estão presentes
no *Khatam, na esmaltagem, no metal e suas combinações, objetos de couro,
madeira e trabalhos de gravações, cerâmica, bordados e tricô.
* Khatam corresponde a uma técnica onde o artesão combina
tiras de madeira em diferentes cores, marfim, osso e metal para produzir
uma variedade de formas geométricas.

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