A História do Norouz

 

1 - O Calendário Iraniano

O calendário acompanha o decorrer de meses e anos. Não há registros de calendários e da maneira como os povos calculavam datas na era pré-Acameniana. Após os Acamênidas, contudo, dois tipos de calendários foram criados.

O primeiro foi encontrado em inscrições na cidade de Persépolis. Ele consistia de doze meses, provavelmente com seu início no outono. Este calendário era do tipo solar, incluindo passagem de anos. O segundo calendário é conhecido como calendário Avesta, no qual corresponde ao atual calendário iraniano. Antigamente no Irã, os meses lunares eram utilizados de uma maneira diferente. A semana, que foi uma das bases do calendário Semita, não existia. Ao invés disso, o mês foi dividido em 30 dias, cada mês possuía um nome específico. O ano no calendário Avestaniano compreendia 365 dias, divididos em 12 meses de 30 dias. Os 5 dias restantes eram chamados de "Panjeh". Na antiga Pérsia, a época da coroação dos reis era considerada como o início do calendário e os anos eram nomeados após os reis. Eles diziam, por exemplo, "o 5º Mês do 7º ano de governo do rei Ardeshir".

Em 247 A.C., início da dinastia Partha, a origem do calendário foi alterado retornando ao mesmo da era Acamênida somente na dinastia Sassanida Na época de Yazdgerd, o último rei Sassanida, o ano de 631 A.C. foi escolhido como o início do calendário iraniano. Uma vez que nenhum outro rei ascendeu ao trono, este calendário permaneceu em uso como o calendário Yazdgerdi.

2 - O Surgimento do Norouz

2.1 - Norouz na Antiguidade

Na era Sassanida, a coleta de impostos pelo governo iniciou-se em Norouz (o primeiro dia do novo ano). Após a invasão árabe no Irã, quando os Persas foram convertidos ao Islã, a tradição de se coletar impostos e diversos outras tradições Persas foram adotadas pelos califas Abassidas. Contudo, como eles não levavam em conta a passagem de ano, a época de Norouz não era precisa. Então, eles decidiram levar em conta a passagem de ano, como os Persas faziam na época pré-Islâmica. Deste modo, surgiram o calendário Motavakkeli e a história de Mo'tazedi.

Não se sabe exatamente quando e como o Norouz emergiu. Algumas pessoas acreditam que mudanças naturais no clima fizeram surgir o Norouz. Alguns pesquisadores consideram-no um festival nacional, enquanto outros consideram-no uma festa religiosa.

De acordo com a crença Zoroastriana, o mês de Farvardin (primeiro mês do calendário solar iraniano) refere-se aos Faravashis (espíritos) que retornam ao mundo material durante os últimos dez dias do mês. Portanto, os Zoroastrianos honram o período dos dez dias com o objetivo de agradar os espíritos de seus ancestrais. A tradição de algumas pessoas em visitar o cemitério antes do Norouz deve a sua origem a essa crença. Outros narram contos sobre a origem do Norouz. Um desses contos diz que neste dia, Kia Khosrow, filho de Parviz Bardina, ascendeu ao trono e fez o Iranshahr prosperar. Outra versão é a de que neste dia especial (1º de Farvardin), Jamshid, o rei Pishdadi, sentou-se em seu trono de ouro enquanto o povo carregava-o sobre seus ombros. Eles viram os raios do sol refletidos em seu rei e celebraram o dia. Outro conto menciona Salomão que perdeu seu anel e, como resultado, perdeu seu reino. Após procurá-lo por quarenta dias, ele achou seu anel e recuperou sua soberania. Consequentemente, o povo gritou, "Norouz (o novo dia) chegou".

Em épocas passadas, a festa de Norouz iniciava-se no primeiro dia de Farvadim (21 de Março), porém, não se sabe exatamente quanto tempo ele durava. Em algumas cortes reais os festivais continuavam por um mês. De acordo com alguns documentos, a festa geral de Norouz era celebrado até o 5º dia de Farvardin e a festa especial de Norouz perdurava até o final do mês. Talvez porque durante os cinco dias de Farvardin, a festa de Norouz era de natureza pública e nacional, ao passo que durante o resto do mês ele assumia um caráter privado e real, quando o rei recebia a visita de seu povo no palácio real.

A celebração de Norouz é um costume iraniano antigo e nacional. Os detalhes das celebrações de Norouz antes da era Acamênida ainda são desconhecidos. Não há menção de celebrações de Norouz em Avesta. Não se sabe até como a festa de Norouz era visto do ponto de vista das crenças religiosas do antigos persas. Contudo, existe algumas referencias à festa de Norouz em poucos livros escritos na era Sassanida.

De acordo com alguns trabalhos dos Babilônios, os reis Acamênidos sentavam na varanda de seus palácios durante as celebrações de Norouz recebendo representantes de diferentes estados que ofereciam seus preciosos presentes. Dizem que Darius o Grande, um rei Acamênida (421-486 A.C), visitava o templo de Ba'al Mardook, a grande deidade da Babilônia antiga, no início de cada ano. Os Parthas e Sassanidas também celebravam o Norouz a cada ano, realizando rituais especiais e cerimônias.

Na manhã de Norouz, o rei vestia roupas ornamentadas e entrava na corte sozinho. Então, alguém famoso por sua sorte chegava à corte. Depois, o Moobed Supremo (padre Zoroastriano), segurando um cálice de ouro, um anel, moedas, uma espada, um arco e uma flecha, tinta, uma pena e flores, adentrava a corte, recitando uma oração especial. Oficiais do alto escalão do governo chegavam após o Supremo Moobed, oferecendo seus presentes ao rei. O rei enviava os presentes preciosos ao tesouro e distribuía os outros presentes entre o público. Vinte e cinco dias antes do Norouz, doze pilares feitos de tijolos de barro eram construídos no jardim e doze diferentes tipos de sementes eram plantadas em seus topos. No sexto dia de Norouz, eles pegavam as plantas recém nascidas e as espalhavam no chão da corte, não as recolhendo até o dia 16 de Farvardin, dia este chamado de Mehr.

A construção de uma fogueira é um outro costume público observado particularmente na véspera de Norouz. A fogueira que os iranianos fazem na última quarta-feira do ano possui sua origem neste costume antigo. Os antigos persas respeitavam o fogo; acreditava-se que o fogo poderia ajudar a purificar o ar. Na primeira manhã de Norouz, as pessoas borrifam água umas nas outras. Após a conversão ao Islã, o costume foi preservado, mudando apenas pelo uso de água de rosas.

Entre outras tradições de Norouz está o banho no 6º dia de Farvardin (26 de Março) e o oferecimento de doces como presente. A tradição mais gloriosa, no entanto, era o de deixar legumes em um prato raso contendo para crescerem, chamado "Sabzeh". Durante os primeiros dois séculos após o Islã, a festa de Norouz não foi observado seriamente devido às mudanças nas circunstâncias sociais e políticas. Gradualmente, os ambiciosos califas Omayyad, desejando aumentar suas rendas com presentes da festa de Norouz, reviveram o costume de celebrá-lo. Livres da dominação árabe, os Persas começaram a reviver os costumes de seus ancestrais.

De acordo com o grande cientista, Aburayhan Birooni, no século 4 A.H (após a Hégira), os governantes da província de Khorassan apresentaram novos uniformes a seus guardas e tropas durante o Norouz. a festa de Norouz também era celebrado nas dinastias Sassanida e Ghaznavida até o dia em que os Mongóis invadiram a Pérsia. Após a invasão mongol, assim como qualquer outra tradição, o Norouz perdeu sua importância. Contudo, com o passar dos anos, ele foi recuperando sua importância gradativamente. Na era Safavida, o Norouz floresceu novamente. Após a dinastia Safavida, a celebração de Norouz manteve seu status e foi regularmente observada na corte real. Nader Shah celebrava o Norouz até em épocas de guerra. Na era Qajar, a tradição do Norouz foi preservada; os monarcas Qajares ofereciam equipamentos, cavalos, dinheiro e ornamentos às suas tropas. As pessoas comuns também celebravam o Norouz de forma gloriosa.

 

 

 

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