A Tradição do Norouz
Os
alegres Anunciantes do Tempo Mir-e-Norouz, Atash Afrouz e Hadji Firouz representam
ícones tradicionais que anunciam a alegre chegada do Norouz. Hadji Firouz
é considerado o mais importante dentre os outros dois anunciantes do Novo
Ano. De acordo com a tradição iraniana, Hadji Firouz foi um homem que vestia
roupas vermelhas e que caminhava de rua a rua cantando e batendo em seu tamborim
na véspera de cada ano novo (que também corresponde a véspera da primavera)
. Ele era geralmente acompanhado por uma ou duas outras pessoas.
Dizem que ele e seus companheiros foram símbolos de um antigo
costume no Azerbaijão, chamado de "Chisdon Chikhdim", no qual Hadji
Firouz
cantava nas ruas para informar ao povo a chegada da primavera e o fim do inverno.
Em troca, as pessoas davam-no presentes e dinheiro pela boa notícia que ele
havia trazido. A "Primavera Limpa" corresponde ao costume de se dar as boas
vindas ao novo ano realizando-se uma limpeza geral na casa. A "Primavera Limpa"
é realizada dias antes do Norouz com os iranianos limpando cada parte da casa,
móveis e tapetes. A prática complementa a nova estação e o frescor que chegam
com a primavera e Ano Novo.
A antiga tradição iraniana de fazer com que as casas fiquem
mais limpas e bonitas para a celebração do Ano Novo é baseada na crença de
que as almas de parentes queridos
que
já partiram visitarão as casas de suas famílias na véspera do Norouz. A arte
de se preparar brotos de trigo no Ano Novo para a véspera do evento também
é muito antiga. A tradição perdura de geração em geração entre as famílias
iranianas que antigamente construíam 12 colunas de tijolos em volta do pátio
real, cada uma com um tipo de semente plantada em seu topo.
As sementes plantadas eram geralmente de trigo, arroz, feijão, lentilha, grão-de-bico, gergelim ou milho. A época de colheita era acompanhada de cantos e canções no dia 6 de Farvardin (27 de Março) de cada ano, com alegria evidente em cada família iraniana reunidas ao redor do pátio real. O número dos pilares de tijolos representam os 12 meses do ano. Os pilares devem ser mantidos intactos até o dia 16 de Farvardin onde toda a família deve acompanhar o crescimento das sementes. A semente que produz o maior crescimento é escolhida como a planta do ano a ser cultivada.
O
crescimento de brotos nas casas para o Norouz possui seu processo peculiar
e é de responsabilidade das donas de casa. No mínimo dez dias antes do Norouz,
a dona de casa pega um punhado de sementes, a quantidade depende do tamanho
da família, e realiza um pedido de saúde, felicidade e prosperidade enquanto
as coloca em um pote de barro cheio de água até que germinem e tornem-se brancas.
Então, ela coloca as sementes separadamente em um pedaço de tecido até que
brotem. Quando os brotos aparecem, ela os transfere para um prato de cobre
e os cobrem com um pedaço de pano úmido. Quando as plantas atingem uma certa
altura, a dona de casa as amarra com uma fita vermelha. Durante a passagem
do ano, os iranianos preparam suas mesas com sete artigos que simbolizam a
vitória do bem sobre o mal. A crença data da antigüidade mas a sua prática
ainda é bastante viva. Os sete artigos geralmente usados são o vinagre (serkeh),
maçã (seeb), alho (seer), azeitona silvestre (senjed), sumagre (somaq), suco
de trigo em processo de germinação ou malte, misturados com farinha de trigo
até se obter consistência (samanu) e um prato de trigo cultivada de
forma
especial ou outra semente (sabzeh). Note que todos os artigos começam o som
em Persa da letra "S". O número sete é tido como mágico pelos iranianos desde
épocas remotas e simboliza os mais altos anjos celestes. Juntamente com os
sete artigos, os Muçulmanos colocam o Sagrado Alcorão e os Zoroastrianos colocam
a Avesta na mesa no Ano Novo para implorar pelas bênçãos de Deus.
Uma jarra com água é colocada algumas vezes para simbolizar a pureza e o frescor, juntamente com pão, um símbolo tradicional do sustento da vida. É comum ver-se leite fresco, queijo, frutas, tâmaras e moedas nas mesas durante o Ano Novo. Azeitonas silvestres e maçãs são símbolos de amor e romãs são frutas veneradas pelos iranianos. Moedas são utilizadas para simbolizar a prosperidade e laranjas representam o mundo. Na chegada do Ano Novo, todas os membros da família, vestindo roupas novas unem-se ao redor da mesa do Norouz.
A
família inicia o Ano Novo com uma oração por saúde, felicidade e prosperidade,
geralmente nestas linhas: "Oh reformador de corações e mentes, Diretor do
dia e da noite e transformador de condições, mude-nos para melhor de acordo
com Vosso desejo". Após a celebração inicial de boas-vindas ao Ano Novo, os
membros da família abraçam e beijam uns aos outros, comem os alimentos preparados
para o Ano Novo e desejam o melhor para o seu próximo. Então, o membro mais
velho da família (geralmente o pai) apresentam o Eidi (presente de novo ano)
aos mais novos membros.
O Eidi consiste geralmente de uma moeda de papel nova e ainda
não usada que foi colocada entre as páginas do Livro Sagrado. A visita aos
parentes durante o Norouz também está entre outros costumes praticados. Em
Sizdah Bidar (13 de Farvardin), as pessoas passam o dia ao ar livre para livrarem-se
de mal agouro que o número 13 geralmente representa. Neste dia, as pessoas
passam o tempo relaxando nos parques ou nas
montanhas.
Garotas solteiras fazem um pedido para que o próximo ano Sizdah Bidar traga-lhes um marido ideal. Durante o Sizdah Bidar, as pessoas geralmente preparam Ash-e-reshteh (um tipo de sopa iraniana tradicional) e outros pratos; a maioria feitos de ervas comestíveis. Entre as brincadeiras populares jogadas por crianças neste dia especial estão o "pique-esconde" e "cabo-de-guerra".
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